sábado, 26 de setembro de 2009

O tempo das framboesas







O jardim é um pequeno universo capaz de proporcionar pequenas e inusitadas alegrias todos os dias. Bem cedo, ao molhar as plantas antes de começar mais um dia de trabalho, fico observando as novidades que tornarão o meu inicio de dia mais interessante. Foi o que aconteceu hoje. Depois de uma semana repleta de dias cinzentos e chuvosos, o sábado pela manhã amanheceu radiante. Com mais tempo disponível, comecei a olhar o jardim e os vasos do terraço com atenção, acompanhada dos meus tres fiéis escudeiros: Misty, Rick e Frida. Cada vaso que eu inspecionava e tratava de molhar, um dos tres vinha dar seu aval pessoal ou procurar algum matinho comestivel.

No terraço encontrei os vasos de framboesas todos floridos e com alguns frutos já em fase adiantada de amadurecimento. Uma florada abundante que garante muitos frutos incrivelmente graúdos. Não exigem muitos cuidados e todos os anos as framboesas se apinham em seus galhos espinhosos, proporcionando uma colheita suculenta, que tenho que dividir com uma horda de sanhaços e bem-te-vis. Tenho dois vasos bem produtivos. Um que esta numa area mais sombreada e o outro, bem maior, numa area com sol pleno. Ambos carregam bem, mas o que esta exposto ao sol, apresenta frutos bem mais doces e é o alvo preferido dos passaros. Se eu quiser comer framboesas madurinhas tenho que acordar bem cedo e correr para a colheita, caso contrario só encontro o cabinho da fruta e muito suco de framboesa espalhado pelo piso e pelas grades.
É interessante observar que essas deliciosas e lindas frutinhas vermelhas também estão em plena época no hemisfério norte. No Reino Unido este mes é dedicado a colheita de "berries" e confeção de geleias e "preserves".


Adoro fazer bolos, polvilhar com açucar de confeiteiro e decorar com as framboesas enormes e carnudas qua mancham o açucar com seu suco. No Natal, há sempre frutos suficientes para decorar o Tender ou um Lombo assado. Os vasos estão lindos com as flores e os frutos em formação. Parecem pequenas arvores de Natal decoradas com seus enfeites multicoloridos.
O Natal já chegou no meu terraço!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Como fazer mudas de orquidea dendrobium.

Aqui estou eu falando de flores novamente. Tudo começou ontem, na fila do caixa de um hipermercado. Eu tinha ido até lá, para comprar alguns itens para o almoço de domingo. Mas, como sempre, dei uma espiadinha no setor de jardinagem. Havia alguns vasos de orquidea dendrobium, sendo que um deles era de uma variedade que eu não possuia. Rapidamente coloquei o vaso no carrinho de compras e quase esqueci de pegar os outros itens que realmente eu precisava e os quais eu havia ido buscar. Já na fila do caixa, um senhor que estava na minha frente admirou-se com a beleza das flores e me perguntou se eu sabia fazer mudas. Eu respondi que sim e expliquei o processo. Agradecido ele resolveu comprar uma orquidea igual. Nesse meio tempo eu já estava explicando o método para mais algumas pessoas que ouviram o caso pela metade, inclusive para a a moça do caixa. Percebi que havia um grande interesse pelo assunto. Então achei que seria interessante colocar o passo a passo aqui no blog. Espero que seja util a mais alguem.
Mas antes gostaria de esclarecer que o meu metodo preferido, e no qual tenho obtido maior sucesso, é o de fazer mudas amarrando-as ao tronco de arvores. Confesso que quando tento fazer isso em vasos, não tenho obtido o mesmo sucesso. Mas de qualquer forma aqui vão as dicas.

1- escolha uma planta viçosa e com uma boa florada. Dê preferencia às que apresentem um bom numero de hastes.



2-Procure uma haste antiga, forte, e que já tenha florido anteriormente. É possivel perceber isso, verificando vestigios secos de uma florada anterior. Com uma faca bem afiada ou tesoura, corte-a próxima à base.

3- Fixe a haste cortada ao tronco de uma arvore, amarrando-a com um barbante de algodão. Se não tiver arvores disponíveis, fixe a haste à uma placa de fibra de coco ou coloque em um vasinho de fibra de coco repleto com uma mistura de cascas de pinus, pedrisco miudo e fibra de coco. Mantenha a haste sempre umedecida, mas sem encharcar senão a haste vai apodrecer. Eu costumo usar um vaporizador spray para umedecer placas, vasos e as hastes que estão amarradas ao tronco do pé de abacate. Um vez por mes, coloco fertilizante foliar liquido na agua e vaporizo plantas e mudas.

4- Depois de mais ou menos oito meses (em média), aparecem brotos de novas orquideas, saindo da haste que foi amarrada. Na foto abaixo, retirei um exemplar que estava amarrado à arvore, para que o processo possa ser visto de forma mais clara.
.Aos poucos ela ira estender suas raizes e irá se fixar no tronco da arvore ou onde estiver plantada. Não se preocupe, as orquideas não são parasitas, elas só se apoiam na arvore, não causam dano algum.


É uma forma simples e eficiente de criar lindas e variadas pencas de orquídeas dendrobium . Minha mãe é outra grande apaixonada por orquídeas. Ela compra vasos novos e sempre me dá hastes deles. Eu faço o mesmo com minhas novas aquisições. Assim, através desse intercambio conseguimos colecionar uma boa variedade de cores e formas. Depois é só ter um pouco de paciencia e esperar pela florada generosa que aumenta e se diversifica ano a ano. Espero que minhas explicações sejam uteis. O processo é muito simples, e procurei fotografa-lo em vários estágios para um melhor entendimento. Boa sorte!
Mais informações úteis no site : www.orquidofilosurbanos.com.br

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O abacateiro, as orquideas e duas musicas de Gil.




Aqui estou eu falando de flores outra vez. Eu sei que estou ficando repetitiva, mas com a proximidade da primavera, tudo esta florindo de uma forma tão desconcertante que eu não consigo evitar. Tenho passado uma boa parte das minhas manhãs regando, aparando e mexendo nos canteiros, acompanhada dos meus gatos Misty e Rick.
A Misty gosta de observar enquanto aproveita para tomar sol, já o Rick é terrivel. Basta cavar um buraquinho no jardim e ele fica todo inspirado, começando a cavar frenéticamente ao meu lado, isso quando não resolve arrancar algumas mudas recem plantadas. Meu marido já apelidou o malandro de " o jardineiro fiel". É só começar a regar as plantas ou mexer na terra e ele aparece imeditamente, todo animado. Adora comer orégano fresco ou cebolinha francesa direto da jardineira.
No momento meu pé de cerejeira do Rio Grande está coberto de flores branquinhas. Perdeu quase todas as folhas e floriu intensamente, atraindo muitas abelhas. É o primeiro ano que ela tem uma florada tão intensa. Já minhas queridinhas, as orquideas, me deixam extasiada diante de tanta beleza. Cada dia é uma surpresa. Há dois anos atras, amarrei muitas mudas de dendrobium no tronco do abacateiro. Agora, elas floriram, quase ao mesmo tempo. Ao olhar para o abacateiro cheio de orquideas florindo me vem à mente aquela musica do Gil... abacateiro quando der seu abacate... que fico cantarolando enquando rego o jardim.
No final da tarde, percebo que mais botões estão desabrochando e outros estão se formando. Outras cores, das quais eu nem me lembrava mais. Nesse momento, me vem à mente outra canção de Gil...se eu quiser falar com Deus... começo a cantarolar e pensar que Deus fala conosco todos os dias através da natureza. Tanta beleza e perfeição diante de nós pedindo tão pouco em troca. Somos abençoados todos os dias, mas ingratos por instinto, nem nos damos conta disso.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Falando de flores...




Não escondo de ninguem minha paixão explicita por orquideas.....elas são simplesmente divinas, e tem a capacidade de me surpreender sempre.


Quando acho que já vi de tudo, consigo achar uma nova espécie ainda mais maravilhosa. Há algumas semanas atras vi os botões que surgiram na minha cymbidium chocolate.... passei uns dias sem dar maior atenção e então ela abriu deslumbrante.Confesso que fiquei chocada com tanta beleza. São orquideas rusticas que não exigem maiores cuidados , mas explodem em beleza estonteante todos os anos, pontualmente.


Ontem, tive outra grata surpresa. Meu pé de mexerica ponkan começou a dar seus primeiros botões. O pé de café está coberto de botões e o limoeiro também. As orquideas dendrobium que cobrem o tronco do abacateiro também estão carregadas de botões enormes. Um inverno atipico provocou uma florada exuberante no jardim e pomar. Nunca vi tantas flores em um mes de agosto. Mas estou feliz e ansiosa esperando que os novos botões desabrochem.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Meu Guri!!


O titulo do texto é uma homenagem à musica de Chico Buarque. Aquela com uma melodia muito doce e uma letra tristemente amarga relantando a deliquencia juvenil. Uma consequencia direta da péssima educação que temos neste pais e que ainda produzirá muita pobreza e ignorancia pelos próximos anos.
Meu guri...ah, olha aí, é o meu guri!

Mas, o meu guri...aquele a quem dedico este texto, é apenas um personagem comico, embora não deixe de ser um deliquente. Totalmente inofensivo, mas ainda assim um delinquente contumaz. Seu nome é Rick, um dos filhotes de minha gata Misty. Um garoto que acabou de completar 5 meses e que não para um só momento. Feio, magrinho e elétrico.

Ele me faz lembrar da musica do Chico, pois tem a mania de me trazer "presentes". Entenda-se, todo tipo de coisas roubadas pela casa. Começou aos 3 meses, abrindo minha bolsa e roubando vários papéis, inclusive um comprovante de pagamento razoavelmente importante, que ele se encarregou de destroçar e espalhar pela casa. Depois evoluiu para o furto de canetas. Quanto mais vistosas melhor. A seguir, interessou-se pela tecnologia. Encontrou um pen drive sobre a escrivaninha e não teve duvidas. Abocanhou-o e trouxe alegremente para mim. Agora já furta jóias e carteiras. É fascinado pelo meu anel preferido, que com sua forma arredondada, brilho e peso é o brinquedo ideal para ser rolado no assoalho e finalmente escondido embaixo do piano. Mas a ultima grande traquinagem, foi carregar a carteira do meu marido e deixa-la no corredor. Provavelmente, cansou-se com o peso dela e não conseguiu chegar ao seu destino final...a cozinha.

Eu acabo me sentindo como a mãe da musica... ao invés de repreende-lo não me canso de admirar sua esperteza. E cada dia estou mais apaixonada por ele.

Pena que os outros guris do Brasil não são inofensivos como o meu.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Churros espanhóis.





Quando falamos em churros, a maioria das pessoas pensa logo no churro açucarado e recheado de doce de leite, vendido em quiosques populares.

 Mas, a minha lembrança de churro é bem diferente. 

Há muitos anos atrás, eram feitos na hora, em feiras livres. Fritos na frente do "freguês".
 Grandes espirais de massa frita salgada e crocante. Eram cortados com grandes tesouras e vendidos aos pedaços, envoltos num pedaço de papel. Devorados avidamente alí mesmo, por fiéis consumidores.

Os churros fazem parte de minha infancia. Em parte porque como espanhóis, adoravamos a iguaria, que era muito comum nas "Ferias" espanholas. Fritos na hora pelas habeis e experiente "churreras", são degustados no café da manhã acompanhados por uma bela caneca de chocolate quente. No clima quente do Brasil, são deliciosos com uma cerveja bem gelada.

Meu marido, embora não seja descendente de espanhóis, também conhecia os churros "da feira" e gostava muito. Lembrando-se disso, pediu que eu procurasse uma boa receita e tentasse faze-los. Desafio aceito, procurei e encontrei uma receita espanhola que produziu um resultado muito próximo, ao churro de nossa infancia. Fiz a massa e ele, com sua mão firme, verteu a massa sobre o óleo quente, produzindo as lindas espirais da foto.

Fácil e eficiente, como convém as melhores receitas.
Aos saudosistas ou interessados, deixo aqui a receita. Bom apetite!!!

Churros espanhóis.
Ingredientes:
250 gramas de farinha de trigo peneirada
1 colher (chá) de sal marinho
1 colher (café) de fermento para bolo
1 xícara ( chá) de água
1 xícara ( chá) de leite
óleo para fritar

Modo de fazer:
Misture o sal na farinha. Vá acrescentando o leite e água na farinha, mexendo muito bem até obter uma massa lisa e uniforme. Se quiser use um mixer.

 Por último acrescente o fermento. Misture delicadamente e deixe a massa descansar por 15 minutos. A massa tem uma consistencia liquida, semelhante a da panqueca. Despeje a massa em uma jarra com bico.

Leve ao fogo uma frigideira grande com bastante óleo.

 Quando estiver bem quente, despeje a massa aos poucos formando uma espiral.

 Se despejar a massa rapidamente e com um fio estreito de massa, terá churros muito finos. 

Se fizer de modo lento e vertendo um fio generoso de massa, terá os churros mais próximos da forma original (2 a 3 cm de diametro).

 Quando dourar,vire a espiral com o auxilio de uma pinça ou pegador de massa.


 Dourado por igual, retire e deixe escorrer em papel absorvente. Sirva quentinho.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Flores de outono, gatos e reformas.


Estamos em meio a uma reforma voltada para a conservação da casa. A velha senhora já tem 30 anos e requer um pouco mais de atenção. 

Embora as obras sejam necessárias, acarretam um bocado de transtorno e poeira. Durante esse período é preciso fazer uma série de ajustes nas rotinas da casa e nos espaços disponiveis, e como sempre os que mais protestam e se sentem incomodados são os gatos.

 Senhores de tudo e impedidos de circular livremente, tem se mostrado irritados e teimosos. Mas, eles não são as unicas vitimas. Silenciosas, mas não menos sofredoras, são minhas plantas. O jardim e o pomar estão cobertos de pó. Os vasos e jardineiras de temperos estão deslocados de seu lugar original e estranham muito as novas condições de vento e sol. 

Minhas pobres plantinhas ....sujas e negligenciadas. Hoje amanheceu chovendo. Péssimo para as obras e uma benção para meu mundinho vegetal. Lavaram suas folhinhas e renovaram suas energias.

Os gatos, bem , esses continuam emburrados. Não querem molhar suas mimosas patinhas no quintal encharcado. Quem me conhece sabe que sou absolutamente apaixonada por orquideas. Elas tem sofrido bastante com a atual situação, mas mesmo assim tem florido.

Reconheço que ainda não sei lidar muito bem com elas. Infelizmente já deixei morrer um bom numero delas, apesar do meu empenho e dedicação. Mas não me considero vencida, estou lendo muito e pesquisando sobre elas. Espero não torturar mais nenhuma probrezinha. Tenho conseguido bons resultados com essas jóias que aparecem na foto acima (colhidas pouco antes da nuvem de poeira tomar conta de tudo).

Todos os anos me recompensam com sua florada deslumbrante. Sempre corto algumas flores para colocar no meu vasinho de cabeceira e assim repouso meus olhos nessa beleza ao deitar e despertar. Nada melhor do que isso para abrandar meu humor que já esta rivalizando com o dos gatos!